Eu, Entretantas
Talvez o último...

Sobre tudo...

Por aluguns anos eu quis ser poeta, hoje, não quero mais! Com Fernando pessoa eu aprendi que "o poeta é um fingidor" e que " o único sentido oculto das coisas é que elas não têm sentido oculto nenhum". Então, o que procuramos tanto? Se não existe sentido oculto algum, as respostas deveriam e estão bem debaixo dos nossos olhos e se não vemos é porque não queremos ver. Se não existe sentido oculto algum não deveriam existir perguntas que procuram as explicações do que todo mundo pode vê, mas prefere tapar os olhos. Esse lance de escrever não me é mais fácil. Ultimamente tem sido dolorido.

E como diz o Lenine " e enquanto a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência" e eu na verdade, nem sei se finjo tão bem assim. Na verdade, eu me engano o tempo todo , nada me interessa muito, nenhum assunto me prende, piro e continuo a forçar uma paciência que no fundo não existe... Não tenho mais paciência pra sentar e escrever. Eu não sei ser devagar, pra mim é agora e pronto!

Minha vida parece um albúm de histórias repetidas com figurinhas diferentes. A vontade mesmo que tenho é ser "verborrágica". De sentar, falar, explicar tim tim por tim tim... Transparente como a água, objetiva como os homens em seus bons tempos. Mas a honestidade tras consequências que não sei se estou pronta pra carregar. Tras o fim da questão sem todo o meio de campo e não sei se eu quero. Como saber se no fim do filme o casal fica junto, felizes para sempre, ou se a mocinha vai Londres afogar as mágoas em outras histórias, outros amores... Mas sem saber o resto do filme, se ela merecia ou não o beijo final.

A imaturidade com que as pessoas tratam sentimentos alheios simplesmente não me é simples entender. A facilidade com que as pessoas descartam pessoas me corta pela frieza. E eu definitivamente não sou uma pessoa fria. Não trato pessoas como objetos, que servem somente de degraus para que possamos atingir nossos objetivos. Pessoas não são descartáveis. E o mínimo de maturidade e respeito quando se deixa de sentir algo é importante. Somos feitos de sentimentos e sentimentos são mutáveis, pessoas deixam de sentir, sentimentos se modificam, entendo tudo isso.

Ando tão cansada. Cansada de falar sabe? Sensação de literalmente falar com as paredes. Sozinha, aqui verborrágica sem ninguém que compreenda, como se falasse uma língua completamente desconhecida. Para gostar, de qualquer coisa, de qualquer pessoa, antes de tudo é preciso admirar, orgulhar-se. Você admira uma blusa, acaba gostando dela em você. Você se orgulha de uma pessoa, você admira, você respeita... Em consequência, você gosta. É assim. Básico e primordial. E você tenta a todo custo fazer entender isso, que apenas uma boa parte não é tudo, é metade não inteiro. Para ser inteiro precisa-se de outras coisas, aqueles lances dos detalhes que se perdem e criam aquele buraco impossível de ser preenchido com outra coisa. O fato é que eu to cansada, mentalmente, fisicamente... E quando falar não adianta, o que se faz? Eu me calo, vou virar muda. E deixar sei lá... Que o silêncio tenha mais eficiência do que essa avalanche de palavras que tenho jogado... Ou então que tudo morra de vez. Meu problema é que eu insisto, insisto até que a dor seja insuportável. Culpa dessa minha cabeça dura!

Eu cansei de ser confusa, louca, intensa e perder tudo. Eu cansei de pirar à noite, e passar semanas pra me encontrar. Eu cansei de dar detalhes de tudo a todo mundo. Pois eu sempre fiz tudo isso e sempre perdi mais que ganhei. Agora é assim, boca de siri, cara de blasé e a esperança de que essa normalidade, essa preservação toda, deixe as coisas boas acontecerem. Mesmo querendo, mesmo morrendo de vontade de gritar meia dúzia de coisas eu não vou. Eu vou é pra frente do espelho, respiro fundo e me peço calma. Repito mil vezes pra engolir minha ansiedade, minha intensidade, minha loucura. Leve, lembra? Seja leve. Nada de contar medos, de desatar a falar de vontades, de verdades, de piração da minha alma que mal eu compreendo. Nada disso. Falar só se forem amenidades.

Eu sei de todas as minhas culpas, não pensem vocês que sou inocente, não sou não. Sou difícil, de gênio difícil, difícil de agradar, e mais um monte de coisas. Mas os problemas são como quase tudo nessa vida, vem dos dois lados, não há culpados, não há vítimas e carrascos. Há sim uma dificuldade do lado de lá de entender que pra mim o que é acertado é como sagrado. Que pra mim isso é importante. Que pela manhã, é pela manhã. Que se digo que estarei às 3 da tarde, nem que eu precise assassinar o Papa, eu estarei às 3 da tarde. E há uma dificuldade do lado de cá de se contentar com o que é dado, e de reconhecer o esforço alheio de muitas vezes fazer o impossível pra que minhas vontades aconteçam. De querer mais sempre. Como vêem sem bem nem mal. Só dificuldade de acertar no equilíbrio. Todo mundo é meio-vilão-meio-mocinho. A sensação hoje é de exaustão. Aquela dúvida, que talvez todo mundo tenha, com ou sem problemas, de que será que teremos algo juntos ali na frente? Mas eu to bem. Cansada, mas bem. Dizem que o sol sempre volta amanhã.

Mas de fato... eu não entendo esse mundo que nos castiga e que não dá explicações. Mas paro por aqui de arremessar tantas perguntas... deixe que outro se arrisquem agora, eu já vou ficando por aqui. Termino com as palavras de Vinicius de Moraes quando ele diz que " a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"

com ajuda: entretantas-eu

Qualquer dia eu volto...