Eu queria que minha vida fosse um filme, pelo menos assim teria gente pra se divertir com o espetáculo, porque eu, definitivamente, não estou achando nada divertido.
Hoje, é difícil olhar nos olhos das pessoas que mais amo ou que um dia mais amei. Difícil porque não consigo mais enxergar nelas o humano, o encantador, o supreendente. Difícil porque quanto mais procuro um sentido pro não querer, pro não fazer, pro não ser, encontro apenas resquícios de corações que também foram espedaçados em alguma fração do tempo.
Então, não me cabe julgar. Não me cabe mostrar o certo e o errado pra quem já viveu a dor de ninguém se importar. E eu já não posso mais me perguntar "quem são essas pessoas" e sim "o que restam delas".
Às vezes eu grito bem alto ainda que em silêncio pra ver se alguém consegue ouvir. Ainda há esperança pra mim, pra você, pra nós, pro mundo? Será que vale mesmo a pena tentar? Vale a pena começar tudo de novo?
Todos os dias verdades que se rasgam, prenúncio de um novo dia : negro, incerto, vicioso. Algo que não agrada (dizem), mas que todos aceitam por convenção.
Eu tenho medo das pessoas, mas as amo mesmo sem querer. As amo porque eu ainda insisto em ver alguma esperança nelas. As amo porque eu preciso delas pra me sentir. As amo porque queria que elas também me amassem assim: do meu jeito estranho que não consegue não amar. Desse jeito estranho que me faz sentir pequena cada vez que percebo que por mais que eu me importe há pessoas que simplesmente nunca vão se importar. Desse jeito estranho que me enche de medo quando alguém vai embora. Desse jeito estranho que me estranha nos olhos das pessoas.
Queria aprender a ser como os outros, a não me importar como os outros. Queria aprender a não isistir tanto mesmo sabendo que nunca vai mudar...
