Eu, Entretantas
Como pode ser isso?

Como pode alguém amar a ponto de esquecer de si pra se dar pelo outro?
Como pode alguém não querer se sentir pra sentir o outro?
Como pode?

Se a vida é isso, acabo o jogo, pego minha bola e vou pra casa jogar sozinha...
Se amar é isso abro mão do meu coração e entrego pra quem o queira...
Porque eu já não o quero mais...
Volto ao ponto de partida e não vou adiante
Fico aqui, estática como da primeira vez
Esperando alguém vir me buscar...
Não saio do lugar até que o próximo dia chegue
E jogo, outra vez, os meus sonhos no chão.

Te procuro por todos os lados...
Quem é você que me deixou sozinha aqui?
Me diga...
Se me amas, porque eu não te tenho aqui?

Minha alma chora como da primeira vez
E implora
Desesperadamente
Por você
Mas quem é você?
Quem é você que eu nunca vejo chegar?
Quem é você que eu espero todos os dias como minha última esperança?
Quem é você?
Me diga...

Os gritos em silêncio me assutam
Me acordam no meio da noite
E me fazem chorar...
Todos se calaram...
Eu me calei...
Tá tudo vazio aqui...
Eu, Entretantas
Então você surgiu na minha vida...

Poderia ser só mais um daqueles que por um espaço de tempo são os motivos das risadas ao fim do dia, mas que depois vão embora... voam pra longe como se a procura de uma nova estação que lhes dê mais frutos...

Então, eu abracei você e desejei que o tempo pudesse parar naquele instante... e eu não tive medo...

Você se tornou incomum pros meus olhos que já estavam exaustos e alento pro meu coração cansado de chorar...

Eu me fiz inúmeras perguntas e eu não encontrei as respostas que eu precisava... mas o que eu percebi, é que talvez não haja respostas pras perguntas do meu coração que às vezes insiste em encontrar explicações que na verdade nunca vão existir...

O que eu posso dizer?

As nossas escolhas nos prendem aos nossos corações... aprisionam a alma e fazem a cabeça por um instante se calar... É como se eu não pudesse mais me ouvir... Eu sei o que eu não devo, mas não sei mais o que eu quero de verdade, porque talvez o que eu realmente queira eu nunca possa ter...

Vou inventado os passos dessa estrada que talvez nunca dê em nada... Vou cantando os desencantos e lavando a alma com os prantos que ainda insistem em gritar em mim... Nem sempre eu posso, mas eu insisto... vou, volto, me revolto e opto por você!

Se nos fosse dado o direito de escolher, talvez eu escolhesse por cometer os mesmos erros... talvez eu escolhesse não acertar, talvez eu escolhesse tentar...
Me esforço pra ouvir o que meu coração sussurra, porque o que a minha alma grita parece indecifrável agora...

Olho pra você e me vejo chegando... eu sempre estou caminhando em sua direção. Olho no fundo dos seus olhos e vejo o espelho do meu coração aflito que, ora chora, ora implora pra isso nunca terminar...

Onde vamos? Eu ainda não sei... estamos caminhando sem chegada e sem partida, à mercê do vento e entregues ao sentimento de poder continuar...

Não se preocupe mais em caminhar sozinho, eu sempre vou com você...

E se for preciso voltar? Então eu te digo: meu coração, dessa vez, vai contigo...