Uma Lição
Sem dúvida, como diria Joseph Climber a vida é uma caixinha de surpresas, boas e ruins, é claro. Mas tenho percebido que as surpresas que mais nos machucam, que mais nos atormentam e que mais nos fazem sofrer são aquelas que mais nos aproximam das pessoas que mais amamos e das que mais nos fazem bem.
Uso as palavras de Pessoa pra dizer que " tenho em mim todos os sonhos do mundo ", "Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza aomundo e maior amor ao coração dos homens", tenho em mim todos os propósitos, todas as idéias, todos os ideais. Vejo a vida muito mais do que como apenas um brinquedo que se quebra quando fica velho e que depois se joga fora, vejo-a como a única incerteza capaz de nos fazer sair do lugar e nos manter em movimento e por isso continuo me movendo, com medo ou sem medo, mas seguindo sempre em frente.
Às vezes não sei quem sou... ando perdida nestas encruzilhadas que a vida nos propõe... por vezes sigo mesmo o caminho errado, somente para me aperceber de que já não me é dada a oportunidade de trilhar o certo... Aprendi que há coisas que simplesmente não estão destinadas a acontecer, enquanto outras são simplesmente inevitáveis, independentemente da minha vontade de querer ou não contrariá-las... Quando a vida me magoa deixo que a chuva se misture às minhas lágrimas e sigo em frente... SEMPRE EM FRENTE... talvez, uma folha jogada no vento... à mercê das suas correntes... com nada mais que uma ténue esperança de chegar a bom porto, afinal, "quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor."
Sou parte daquilo que fui, parte daquilo que sou e necessariamente parte do que serei. Sou parte de tudo aquilo que me deram, que me disseram, que me propuseram. Sou parte da parte de quem mais amo e de quem mais odeio. Sou exatamente aquilo a que me propús ser sem direito de novas escolhas. Sou muitas vezes tudo aquilo que nunca pensei ser, mas que me fiz ser mesmo sem querer.
" Não sei quantas almas tenho, cada momento mudei.
Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei "
Fernando Pessoa
